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10 de nov. de 2015

Entrevista Zumbi: Projeto Trator pela segunda vez!

2015 tem sido um ano bem agitado para o duo paulista que mistura Stoner Rock com Punk devido a vários lançamentos e uma quantidade de shows maior que muitos farão em uma vida inteira. Apesar disso Thiago Padilha (bateria) e Paulo "Thompson" Ueno (vocal e guitarra) mais uma vez arranjaram um tempinho para responder algumas perguntas para o Zumbi Atômico.



Na última vez que entrevistei vocês o Projeto Trator tinha lançado apenas dois EPs. De lá pra cá a banda acrescentou á discografia dois álbuns e dois splits. Qual será o próximo passo?

Paulo: Soltar mais um álbum (ainda sem previsão de lançamento) que foi gravado no Converse Rubber Tracks, no Family Mob Studios, sob a batuta de David Menezes, engenheiro de som do Ratos de Porão e guitarrista do Desgraciado/Testemolde e do ex-Sepultura, Jean Dolabella. Fizemos um resumo da nossa historia com canções do nosso primeiro EP, do nosso primeiro Full, do Despacho, que será oficialmente lançado no Brasil esse sábado (14.11.15) no Hotel Bar (Antigo Hotel Tees) e dos splits gravados ano passado na Argentina.
O Despacho só não foi lançado antes por que o cara que masterizou lá no Rio de Janeiro fodeu com tudo e ainda foi bem pago. O David Menezes, que salvou o trampo. Esse disco foi gravado numa fazenda em Itupeva em 2013 e a produção é assinada por outro parceirão, o Sergio Ugeda (Debate/Diagonal).
Voltando ao Family Mob, captamos ótimas bateras e guitarras. Oito músicas em oito horas. Já demos continuação à produção desse trabalho no estúdio Rolo de Fita do David Menezes com mais camadas de guitarras, vocais, mixagem… Fora isso adoraríamos esquartejar esse governador arrombado, Geraldinho Alckmin ahaha e quem sabe um disco de reggae.

Thiago: Disco de reggae, nem fudendo! hahaha… Levamos junto nessa ultima turnê, meu amigo de longa data Eduardo Murai, que produziu o disco "Na Fronteira com o Ordinario Planeta Pessego Azul". Ele além de cuidar da venda de merchandising, também tirou fotos e gravou (por canal) o áudio de todos os 15 shows da turnê. Pretendemos lançar um disco ao vivo com o nosso set-list "padrão" da turnê e mais um ao vivo com as jams rolaram na maioria dos shows.

Também na última entrevista, vocês tinham acabado de fazer a primeira turnê pelo nordeste brasileiro. Desde aquela vez vocês já tocaram no sul e mais recentemente fizeram uma extensa turnê pela Argentina, Uruguai e Chile. Como é fazer uma turnê fora do Brasil?

Paulo: Fizemos duas gigs fora daqui: ano passado durante a copa rodamos a Argentina e esse ano repetimos a dose lá na terra do Maradona e mais Uruguai e Chile. O lado bom são as coisas que você não conhece e o Fernet barato. Existem as roubadas, comida boa e ruim, gente muito loca pentelhando, tem de tudo. O Uruguai é um pais rural onde todo mundo usa pochete. Embora eu tenha ficado doente, foi bem divertido. Lá nós tocamos num pico onde o Leptospirose (Bragança Paulista) também tocou. Na Argentina fizemos 11 shows num circuito de bandas psicodelicas/stoners, amo aquele lugar. E o Chile, apesar da repressão, de não poder beber na rua, da comida e da breja péssima, o povo é true pra caralho e isso é foda. Me remeteu muito à época em que eu frequentava o Chop Haus (botecao banger/calça justa) no Bexiga, em 94, e dos rolês da galeria para a Ledslay de sábado no meio dos anos 90. Aliás, o Chile é uma Ledslay gigante e fria.

Thiago: Tivemos uma receptividade muito boa nos países em que tocamos (principalmente na Argentina). Somando tudo o que percorremos por terra, foram mais de 6000km (praticamente tudo de ônibus, que bancamos com a grana dos shows mais a venda de merchans). Apesar de algumas roubadas, não dá p/ reclamar. O que mais importa é que os shows foram bem fodas.

O Projeto Trator já possui planos para uma próxima turnê?

Paulo: Sim. Em Janeiro partiremos novamente para o nordeste à convite do Under The Sun, festival psicodélico bem legal que acontece em Natal/RN.
Esse giro terá inicio em Fortaleza (CE), depois vamos para Mossoró (RN), Natal (RN), João Pessoa (PB), Recife (PE), Maceió….Vamos aproveitar o  rolê, também, para rever os amigos e tirar uma onda no verão ahah… já estamos fechando outras gigs para o decorrer do ano.

Imagino que em todos esses lugares que vocês já foram devem ter conhecido inumeras bandas boas. Poderiam citar algumas para os leitores do Zumbi Atômico?

Paulo: Dividimos o palco com muita banda legal. Difícil lembrar todas mas vamos lá:

Thiago: Bandas gringas - Argentina: Montaña Electrica (Buenos Aires), Soma (Neuquen - lançamos um split juntos), Los Elefantes Yel Arbol Solar (Buenos AIres - lançamos um split juntos), Knei (La Plata), Las Olas (Buenos Aires), A-Kemarropa (Gde Buenos Aires) esse é um punk rock brutal, Favalli (Gde Buenos Aires), Aversus (Neuquen). Chile: Kayros (Concepcion), Demonauta (Santiago) e Chinaski (Curicó)…

Paulo: Bandas nacionais: Autoboneco (Bauru - O Thiago tambem toca nessa banda), Cassandra (Curitiba), Facka (Atibaia), Marte (Curitiba), The Lost Lions (Bragança Pta), La Burca (Bauru), Mondo Bizarro (Recife), Mojica (Olinda), Suicide Shower (Presidente Prudente), Testemolde (SP), Warsickness (SP)...

Ano passado durante a turnê pela Argentina vocês gravaram os dois splits. Poderiam falar um pouco sobre eles?

Paulo: Em Neuquen (Patagonia) havíamos tocado no festival Noches Verdes, produzido pela Venado Records e pela galera do Soma. Tocamos com o próprio Soma e o Calambretto. Haviam centenas e centenas de pessoas e um estúdio móvel que estava lá registrando os audios. Aí nasceu a idéia do split. Na semana seguinte em Buenos Aires, o grande Mathias (sócio do Estudio Casa Fauna que nos hospedou as duas vezes em que estivemos na Argentina) também sugeriu um Split com a banda dele, Los Elefantes Yel Arbol Solar. Obviamente que não hesitamos e passamos uma tarde chuvosa fazendo uma série de Jams com o REC apertado. Eu mesmo mixei e masterizei as faixas do Projeto Trator.

Thiago: Lançamos os dois splits esse ano pela Crocodilos Discos (nosso selo) e o split com Los Elefante Yel Arbol Solar teve lançamento em parceria com o selo Fauna Records da Argentina. Eu mesmo fiz a arte dos dois splits. Na Argentina o split com o Soma saiu com a arte do baterista do Calambretto que normalmente faz os flyers cannábicos do evento Noches Verdes.

Vocês lançaram recentemente um clipe para a música Na Rua das 7 Facadas, que foi gravado na Casa Raiz Libertaria. Como foi a experiencia?

Paulo: Foi épico! Intenso! Ahah... a locação foi na Casa Raiz Libertária é uma ocupação artística no Jd. Jaqueline, Km 15 da Raposo Tavares em São Paulo. O espaço é frequentado por artistas e agitadores culturais da quebrada. Em suma, chegamos às 14h para preparar tudo e parte dos equipamentos foram subitamente roubados assim que entramos na Casa para checar o ambiente, algo como cinco minutos. Por sorte pegamos um dos jovens com vários equipamentos em mãos, inclusive uma das câmeras. Eu entrei na favela com dois brotares que estavam na casa, um deles é morador da comunidade. Aí começou a saga. A minha guitarra e o tripé profissional, desses caríssimos, estava nas mãos do outro jovem. Rodamos a favela, passamos por todas as biqueiras. De fato, eles não querem problema e o dono de uma das biqueiras me garantiu os (instrumentos) em duas horas. E aconteceu.

Duas horas depois o Thiago foi de carro pegar a guitarra e o tripé do outro lado da favela. Sobre o clipe, corremos para a Casa Raiz Libertaria e ainda caiu um pé da agua, uma chuva forte e inconveniente sem fim, mas gravamos do mesmo jeito com todas as limitações: física, técnica e emocional. Toda a direção de fotografia e também produção é assinada pelo grande amigo Tiago ‘Visceral’ Maciel (ex guitarrista do Calibre 12/ atual Chemical). O conceito, edição e finalização é meu. Mas todo mundo pegou no pesado. Compusemos o cenário com algumas luzes e materiais e com o pessoal da casa, foi uma força tarefa mesmo. Dois dias depois, captamos alguns inserts na rua. O propósito era um carnaval lisérgico e satânico. Mas curtimos bastante do resultado. Ufa!

Com três lançamentos e essa quantidade quase incalculável de shows podemos dizer que 2015 foi o ano mais "produtivo" de vocês?

Paulo: Sem dúvida. Lembrando que a tendência é sempre piorar. Temos banda para tocar. Vamo fazendo as coisas na unha e com a ajuda de amigos. Nós temos isso em comum: essa visão sobre musica e rolê como uma continua produção e sempre tocando. Fazer acontecer é sempre uma conquista. Fica difícil de negar as raízes punks.

Thiago: A cada ano que passa tem sido mais produtivo. Em 2016 faremos 10 anos de banda e a vontade de tocar é muito, gravar e desbravar novas terras está mais forte do que nunca. A máquina não para!


Não esqueça de visitar o Facebook, o Soundcloud e o Bandcamp do Projeto Trator!

Lembrando que no próximo sábado (14/11) a banda toca DE GRAÇA a partir das 20hs no HOTEL BAR.

21 de set. de 2015

Entrevista Zumbi: Felipe Dalam (Saturndust)

A Saturndust é sem dúvidas uma das melhores bandas de Doom Metal do Brasil. O trio de São Paulo lançou um EP em 2012, um álbum em janeiro, já fez inúmeros dentro e fora de capital e já abriu para as bandas gringas Sahara Surfers e Mars Red Sky.
O guitarrista e vocalista da banda, Felipe Dalam tirou um tempinho para responder umas perguntas para o Zumbi Atômico sobre vinil, shows e o futuro do trio.



Como a Saturndust começou?

Sempre quis criar música. E música que eu gostasse... fazia jams com um batera em 2010, es que notamos que dariam bons frutos.

No começo do ano a banda lançou seu primeiro álbum. Como foi o processo de gravação?

Ótimo, porém corrido. Tínhamos feito um show no dia anterior e tivemos que gravar 3 das faixas em uma madrugada, pau-a-pau. A recepção da Abraxas/Superfuzz foi excelente, uma das melhores experiências e finais de semana das nossas vidas, com toda certeza. Fora que amamos o RJ, temos tantos amigos queridos lá e o público sempre nos recebe bem.

A banda já planeja os próximos lançamentos?

Já e já temos material até sobrando. Apenas organizando melhor e vendo quando irá rolar gravação/lançamento, talvez antes do que todo mundo possa imaginar. Demos estão por aí, rodando entre nossos chegados.

Vocês conseguiram despertar o interesse de algumas gravadoras no exterior, tanto que chegaram a lançar o álbum em vinil nos Estados Unidos pela Helmet Lady Records. Como conseguir lançar um play no exterior é o objetivo de muitas bandas por aqui, imagino que você tenha muito a falar sobre isso...

É mágico. Apesar dos atrasos da prensagem. Eu nunca fiz música com essa pretensão, mas é lindo ver seu trabalho materializado, do jeito que você pegava o seu 'Dirt' (Alice in chains) em vinil e notava até certa diferença no andamento dos sons, é algo bem legal. Estão pra chegar finalmente em algumas semanas aqui no Brasil.

Na sua opinião quais as maiores dificuldades de ter uma banda no Brasil?

Aqui tudo é bem caro, e as pessoas levam a música como hobby. Isso é bizarro. Fora que tem uma boa porcentagem de pessoas que você encontra tanto na cena quanto fora que só quer ter banda por ter, pela experiência só, ou por ter banda de ~tal gênero~ ~quero ter uma banda de doom porque tem poucas na cena~, por exemplo, não por se expressar artísticamente do jeito que você acha cabível. Você encontra muitos desses... aventureiros.

Em novembro a banda tocará no Exhale The Sound em Belo Horizonte. Quais as expectativas para esse show?

Grandes. É um dos maiores festivais underground DIY que temos e dividir o palco com diversas outras bandas de respeito é sempre bom, fora que ainda não passamos por BH.

A banda já tem mais shows agendados?

Temos sim. 
11/10 (domingo) - Espaço Som
31/10  (sábado) - Dissenso Lounge

Obrigado por ter tirado um pouco de seu tempo para essa entrevista. Deixe seu recado para os leitores do blog!

Esse blog é daora e é de um cara que manja mesmo das bandas que curte bem antes do atual hype. ~Fikdik




Não esqueça de visitar o Facebook e o Bandcamp da banda!

22 de jan. de 2015

Entrevista Zumbi: Shallow Void

Apesar de possuir menos tempo de estrada que as outras (poucas) bandas que já foram entrevistadas por aqui, o Shallow Void já mostra muita competência. O quarteto formado por Allan Lordaro (baixo), Gustavo Bueno (guitarra), Gabriel Martinez (vocal) e Alexandre Dantas (bateria) lançou seu primeiro trabalho, o EP Rising Sun no final do ano passado e tirou algum tempinho entre um ensaio e outro para responder algumas perguntinhas para o Zumbi Atômico.


Como a Shallow Void começou?

(Gustavo Bueno) – Bom, a Shallow Void começou no fim de 2013 com o término da banda Jailbird, da qual eu e o Grey fazíamos parte. Na época já estávamos sustentando a ideia de partir para um som um pouco mais arrastado com algumas influências básicas de Sleep, Kyuss, Electric Wizard e, principalmente, Black Sabbath.
Inicialmente o projeto que viria a ser a Shallow Void de hoje seria apenas virtual, nada muito específico... E depois do lançamento da nossa demo (Black Witch, disponível no Soundcloud) de gravação caseira e produção descontraída, decidimos que a banda teria que ser levada para frente com uma formação verdadeira. A primeira formação a se firmar foi com Allan Lordaro (atual) assumindo o baixo e o Renato Pestana (Fatal/25º Experiência) na bateria, mas o Renato não pôde ficar conosco por muito tempo por algumas prioridades musicais. Felizmente, o Allan já tinha mais um projeto com Alexandre Dantas, que topou na hora assumir a vaga , completar a atual formação da banda e definir a cara do som.

A banda recentemente lançou seu primeiro EP, o Rising Sun. Vocês poderiam falar um pouco sobre ele?

(Alexandre Dantas) – Desde o começo da banda, o objetivo principal era iniciar a gravação de um EP o mais rápido possível. O Gustavo já tinha alguns riffs e ideias pra servirem de base pro disco, assim como o Allan possuía algumas linhas de baixo e o Grey algumas letras, e é claro, Black Witch estaria inclusa na parada.
Depois do primeiro ensaio comigo, que foi mais para sentir o entrosamento entre os integrantes, as músicas pro álbum surgiram facilmente, tanto que no segundo ensaio já tínhamos praticamente todo o corpo de Forsaken (segunda faixa) e a ideia inicial de Purple Fog, que viria a abrir o EP.
Pra selar o nosso primeiro registro como banda, o Gustavo trouxe a Fading Moon idealizada e naturalmente os arranjos foram se encaixando conforme a gente ensaiava, fechando assim as quatro faixas de Rising Sun;
Com todas as músicas prontas e a banda focada, iniciamos as gravações em julho de 2014, aproveitando o clima e o ritmo de copa do mundo no Estúdio 68, do nosso grande parceiro Allison Insone (é nóis ‘’muleque’’), e assim o sol se ergueu!

Os integrantes da banda possuem outros projetos paralelos?

(Alexandre Dantas) – Sim, eu tenho uma banda de Tech Thrash/Death chamado Abstracted, que nasceu de um projeto em que o Allan fazia parte também (Perpetual Black Second), quem quiser ouvir algo sobre é só ver na nossa página do facebook. Na página só tem alguns vídeos, mas em dezembro começamos a gravar o nosso EP.
Tenho mais alguns projetos que ainda não saíram do papel, então são só a Abstracted e a Shallow Void mesmo.
(Gabriel Martinez) – Faço parte de uma banda de “Stoner Psicodélico”, chamada Kalahari (antiga Voodoolord). O material ainda não está disponível na internet, mas esperamos que em breve possamos lançar um álbum para a galera.

Quais são os planos futuros para a banda?

(Allan Lordaro) – No momento estamos em processo de composição de um novo material para 2015 (provavelmente um full lenght), quem quiser acompanhar esse processo, está convidado para os nossos shows (datas na página do Facebook da banda) .
Acho que agora o principal é a divulgação do EP através da internet, boca a boca, rituais satânicos, orações aos deuses egípcios e também por meio de shows futuros. Logo logo teremos merch e a versão física do EP à venda, mais informações na nossa page... COMPRA O NOSSO TRAMPO!

Obrigado por cederem um pouco de seu tempo para essa entrevista, deixem um recado pros leitores do Zumbi Atômico.

(SHALLOW VOID) – Primeiramente, gostaríamos de agradecer ao Ricardo Siqueira pela força e pela oportunidade de expor nossos ideais comunistas e shamanistas aqui no Zumbi Atômico . E pra fechar essa paradinha, a gente pede para que os leitores ouçam o nosso som e não deixem de checar os nossos tutoriais e detonados de games no Youtube! Partiu.

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22 de ago. de 2013

Entrevista Zumbi: Câimbra!

A terceira entrevista da história do blog não podia ser com outra banda! O Câimbra que aparece frequentemente aqui no blog cedo ou tarde seria entrevistado...bom... esse dia finalmente chegou!

1. Pra começar, é impossível falar sobre o Câimbra sem falar do Emicaeli, Sheila Cretina e do Badtrip Surfdeath, as bandas do Tsunami. Como tudo isso começou?
Tudo começou quando o Piettro, vizinho do Manéu (que já foi do Stand Free), conheceu no IAV o Alexandre (que sempre foi do Emicaeli, junto com o Dentão e o Chã do Badtrip) e depois conheceu o Caio e o Gustavo (da Sheila Cretina), que estavam ensaiando no Red Mob Studio porque o Rodrigo (também da Sheila) conheceu o Piettro na Anhembi-Morumbi e levou a Sheila pra ensaiar lá. Assim surgiu o Câimbra. Se não entenderam, a gente pode desenhar... [risos... goles no whisky]

Pouco tempo depois a Sheila Cretina e o Badtrip Pesadelo (que hoje é Badtrip Surfdeath, com o Manéu no baixo) já estavam ensaiando e gravando no RMS e a turma do Emicaeli, banda mais antiga do grupo, começou a agitar os primeiros shows coletivos. Em outubro de 2010, rolou o "Chá de Fita" na Associação Cultural Cecília, com Emicaeli, Badtrip, Stand Free e Sheila Cretina. Em março de 2011 rolou a mini-turnê "Lebre de Março", com Emicaeli, Badtrip e o Câimbra entrando no circuito. Finalmente, em maio de 2011, rolou o "Tsunami" no Plebe Bar Indaiatuba, pela primeira vez com as quatro bandas juntas: Emicaeli (hoje com o Piettro no baixo), Badtrip Surfdeath, Sheila Cretina e Câimbra. Esse show por pouco não aconteceu, porque faltou energia elétrica no Plebe e tiveram que procurar um eletrecista acordado às 23h e... [história muito longa para este espaço]

2. Esse ano vocês lançaram o segundo EP do Câimbra, "E NO FIM O QUE RESTA?". Houve diferenças no processo de composição e gravação dele em relação ao anterior, "É TUDO UMA MENTIRA" ?


No processo de composição, parece que tivemos uma diversidade maior de influências, com todos os integrantes trazendo ideias complementares e dissonantes para as novas faixas. Também tivemos mais tempo para experimentar as músicas ao vivo, pois fizemos muitos shows ao longo de 2011. Por outro lado, não descartamos nenhuma música -- gravamos as cinco que estavam prontas naquele momento... [cruzam os olhares com cara de dúvida e desconfiança... mais goles de whisky]
O novo EP foi gravado no estúdio Zastrás, que fica dentro da Associação Cultural Cecília, um ambiente diferente do extinto Red Mob Studio, mas que já vínhamos frequentando havia um bom tempo. A produção também foi bem diferente: gravamos todos os instrumentos separados, ao contrário do primeiro EP, que foi gravado ao vivo... [alguém boceja e mexe o gelo no copo]

3. Em Maio e Junho o Emicaeli fez uma turnê pela Europa, há planos para uma turnê do Câimbra ou das outras bandas do Tsunami por lá?

A turnê do Emicaeli pela Europa teve uma "ajudinha do acaso" porque o Piettro e o Dentão já estavam por lá (em Londres) fazendo um curso de Produção, então precisaram ir "só mais três" integrantes...  as faturas de cartão de crédito ainda estão chegando pra castigar a galera, então por enquanto não há planos tsunâmicos de retorno à Europa. Mas estão dizendo por aí que pode rolar uma turnê com Câimbra e Sheila Cretina na Argentina ainda esse ano... [cruzam os olhares com cara de dúvida e desconfiança... alguém abre uma lata de cerveja e desconversa]

4. A banda já pensou em lançar algum registro ao vivo?

Tanto o Câimbra quanto as outras bandas do Tsunami estão sempre fazendo registros das apresentações ao vivo, algumas vezes até com qualidade suficiente para um lançamento audiovisual. Mas como já é bastante difícil ter um disco prensado em CD ou vinil, neste momento estamos priorizando mesmo os trabalhos de estúdio. Ano passado o Câimbra participou do TV Trama e foi um registro bem bacana. Temos o áudio bruto gravado e mixado pelos engenheiros de som da Trama e, quem sabe um dia, podemos lançar este registro em uma compilação de sons ao vivo ou até mesmo como bônus em algum disco de estúdio. O Emicaeli também tem boas gravações dos shows pela Europa e há planos de lançar um disco ao vivo ano que vem, quando a banda completará 18 anos.

5. O Câimbra lançou um vinil esse ano contendo os dois EPs da banda. Como foi possível lançar nesse tão sonhado formato?

Já em 2012, quando estávamos gravando o "E NO FIM O QUE RESTA?" pensávamos em lançar os dois EPs juntos em vinil. Pesquisamos bastante e descobrimos que o Brasil é muito carente de fábricas para prensar vinil. A única fábrica que ainda existe tem um custo quase proibitivo para uma banda independente. Foi quando encontramos a DMS na Inglaterra com um custo acessível para uma tiragem pequena (300 unidades) e coincidiu de o Piettro estar estudando em Londres, então conseguimos juntar uma grana por aqui e mandar todo o material para ser prensado lá na Terra da Rainha. O Emicali também aproveitou o embalo e prensou o novo álbum "SCHIZOFRITO". Os vinis ficaram prontos quando o Emicaeli estava na Europa, então conseguimos trazer para o Brasil sem custos adicionais de frete internacional e importação... [risos]

6. Quais os planos futuros do Câimbra?

Vamos continuar na pegada de shows para promover o vinil, que ficou muito bacana e já está vendendo bem. Estamos com algumas composições novas e a ideia é gravar e prensar um split com nossos hermanos do Altar (Argentina). Além disso, o Tsunami está programando para o restante de 2013 uma agenda de shows em quase todos os finais de semanas, agora com outras bandas convidadas para engrossar o caldo tsunâmico. Estes shows devem acontecer na Sta. Cecilia, em casas do Centro e Augusta e também ocupando espaços públicos, como os eventos recentes na Praça Roosevelt, Minhocão e Anhangabaú.

Para os interessados em comprar o todo poderoso VINIL(!), você pode encontra-lo...
-- Em qualquer show do Tsunami
-- Na Associação Cultural Cecília (Sta. Cecília)
-- Nas lojas em São Paulo: Tuca Discos, Big Papa e The Records
-- Nas lojas em Londres: All Age Records e Sister Ray

9 de nov. de 2012

Entrevista Zumbi: Projeto Trator

A segunda edição do Zumbi Entrevista traz outra banda do underground brasileiro, e uma de minhas favoritas: o Projeto Trator!
A seguir as respostas do duo stoner/punk que está na ativa desde 2006. 



1. como o Projeto Trator começou?

Paulo "Thompson" Ueno: Começou no longínquo inverno de 2006, na época em que a tarifa do ônibus custava 2 reais e o bilhete único não tinha limite de viagens. No início o nosso propósito era de ser um projeto mesmo, pois tocavamos em outras bandas.


Thiago Padilha: Marcamos alguns ensaios sem pretensão nenhuma. Tiramos sons de bandas como Kyuss, Fu Manchu, Danzig e QotSA, mas logo de cara percebemos que rolava uma química de composição muito grande e focamos em compor sons próprios ao invés de tocar músicas de outros artistas. Rapidamente a banda começou a acontecer e estamos ai até hoje na correria. Sempre como duo.

2. Recentemente o Projeto Trator fez a primeira turnê pelo Nordeste. Como foram os shows lá?

Paulo "Thompson" Ueno: Eu ainda estou procurando defeitos nos 5 shows que fizemos.rsrs Como diria minha tia hippie solteirona: foi bárbaro!
Fizemos vários amigos, rodamos tudo de onibus, na unha mesmo.
Pegamos o Bacurau e tiramos um retrato do Zumbi Pachedo. 
Tocamos com várias bandas foda. 
A gente pretende voltar e rodar mais o pais e o mundo, por que não?? Serei um pouco piegas, mas essa experiência foi única.

Thiago Padilha: Foram os shows mais insanos da história do Trator. Tocamos em 3 estados (PE, RN e PB), tudo no esquema faça você mesmo marcando os shows por e-mail/telefone e indo viajar entre os Estados de onibus. Registramos toda essa experiência p/ lançar mais um documentário no ano que vem.
Queria agradecer o pessoal do blog stoner rock PE, Espaço Do Sol, Black Hole e Pogo Pub. E dizer p/ galera ficar esperta nas bandas Monster Coyote, Red Boots, Dead Pixels e Son of a Witch (RN) e Mojica (o eyehategod do Brasil) e Mondo Bizarro (a melhor banda de stoner nacional dos ultimos anos).

Paulo "Thompson" Ueno: Gostaria de citar algumas bandas que depois desse rolê passaram a fazer parte na nossa história também:
Red Boots (RN), Monster Coyote (RN), Dead Pixel (RN), Misfits Cover de Areia Branca (RN), tudo bem, eu sou Misfiteiro mesmo… Mojica (PE), Mondo Bizarro (PE), Verina (PE), Rabujos (PE) e Subversivos (PE).

3. O Projeto Trator ja recebeu alguma proposta para tocar fora do Brasil?

Thiago Padilha: Já sim, mas todo mundo sabe que ter banda independente é complicado. Só agora, após essa turnê no Nordeste, é que deveremos tocar pela primeira vez na América do Sul e também, se tudo der certo, na Europa. Isso no ano que vem, pois primeiro vamos lançar o disco novo.

4. Fale um pouco sobre o novo play que vocês vão lançar, o "Na Fronteira com o Ordinário Planeta Pêssego Azul".

Paulo "Thompson" Ueno: Não vou repetir aquela "maxima" de que será o melhor disco da banda, da carreira, que será um divisor de águas... blá, blá...
Fato é que depois de dois EPs será nosso primeiro "Full" .
Ele foi inteiramente gravado e produzido pelo grande Eduardo Murai com muitos pitacos nossos, claro. Fico imaginando um jovem inconsequente loco de bala andando de skate com uma peita do GWAR e um walkman "Cougar" autoreverse na cintura ouvindo Black Flag e Moto Perpetuo (primeira banda do Guilherme Arantes de 73) na 23 de Maio. Essa é a minha definição sobre o disco. Uma observação: todas as cançoes são inéditas e foram gravadas por nos.

Thiago Padilha: O Paulo definiu bem o disco (risos)! Podemos resumir o disco na imagem do Guilherme Arantes louco de bala, andando de skate no centro de SP e ouvindo Black Flag no walkman (risos).

5. Quais os planos futuros da banda?

Thiago Padilha: Lançar o novo disco. Estamos muito felizes com a produção que o Dudows (Eduardo Murai) tá fazendo. Pretendemos prensa-lo e estamos vendo algumas possíveis distribuições. Depois disso, é cair na estrada de novo p/ divulgar os sons. Também queremos começar a compor material novo, já temos algumas embriões de músicas que surgiram na turnê no Nordeste.

Paulo "Thompson" Ueno: A correria tripla: lança o disco, distribuir e tocar, basicamente.
Depois, colocar em prática, como disse o Thiago Padilha, as ideias para o trabalho posterior e repetir o ciclo e se a juventude continuar em cima, dominaremos o mundo e ja era!

6. Você acha que a banda evoluiu desde o lançamento do EP "A Bombástica Barafunda do Batizado" em 2007?

Paulo "Thompson" Ueno: Eu não e voce Padilha? Antes eu conseguia tocar e cantar com mais facilidade, tipo Mustaine no "Rust in Peace" hoje me sinto o Phil Anselmo tocando e cantando (risos). Sacanagem.

Thiago Padilha: Vou tentar resumir de forma prática. Quando você junta dois caras muito fãs de Melvins, Sonic Youth, dos projetos do Mike Patton e etc, a tendência é que quantos mais entrosados eles fiquem, mais estranho fique o som (risos). Naturalmente fomos ficando mais esquizitos e tortos com o passar dos anos (risos). Nós (des)evoluimos nesse sentido.

Paulo "Thompson" Ueno: Honestamente, eu acho do caralho nosso primeiro EP, tenho mó orgulho. Eu achava que nem fossemos chegar onde chegamos. Nossa forma de tocar e compor também mudaram. Tenho alergia à expressão "amadurecer". Como o "Padilha" disse: Patton, Sonic Youth e Melvins + Patife Band e Sarcófago ajudaram pra caralho.

Thiago Padilha: E Black Flag, Brant Bjork e Eyehategod (risos). Também tem uma porrada de bandas que o pessoal nem imagina, mas que daria uma boa conversa no bar.

7. É isso ai caras, deixem um recado para os leitores do blog.

Thiago Padilha: Comam verdura, leiam Hakim Bey e não deixem de acompanhar o facebook do Projeto Trator (facebook.com/projeto.trator). Semanalmente a página é atualizada com shows, fotos, videos e novidades.
Valeu ae Ricardo, pelo espaço no Zumbi Atomico.

Paulo "Thompson" Ueno:  Valeu mesmo pelo espaço, pelos 17 minutos que você acabou de gastar aqui, pelo "Hate" que o Sarcófago lançou em 94 e eu não paro de ouvir, pela força do glorioso Zumbi Pacheco. Diga não aos crocs e sapatenis.  

Clique AQUI para baixar o EP "A Bombástica Barafunda do Batizado (2007) 
Clique AQUI para baixar o EP "O Caldo Vai Azedar" (2009) 

Clique AQUI para assistir o documentário que a banda fez do show em Itú, em fevereiro desse ano.

LEMBRANDO A TODOS QUE MORAM EM SÃO PAULO QUE ESSE DOMINGO (11/11) O PROJETO TRATOR VAI TOCAR NA CASA MAFALDA AO LADO DOS HOLANDESES DO THE SHINING! O INGRESSO CUSTA APENAS R$3,00! 




4 de ago. de 2012

Entrevista Zumbi: Fuzzly!

Hoje postarei a primeira entrevista da história do blog, e para começar, trouxe uma das melhores bandas do underground brasileiro:
Entrei em contato com a banda pelo facebook, mandei umas perguntas e os caras responderam numa boa. Confiram ai!


1. Quando e como o Fuzzly começou?
em 2000, Dark Jordão(guitarra voz) conheceu Rafael Arruda(Bateria). Começamos a anunciar uma banda que nao existia acabou que recebemos um convite, fizemos nossa primeira apresentação em 2001 em uma festa entre amigos.



2. O Fuzzly gravou um disco em colaboração com o Vincebuz, como foi a experiência?

Então cara conhecemos a galera do Vincebuz creio que em 2004, quando lançamos nosso EP Middle Of Nothing, começamos a trocar material, em 2005 ou 2006 estavamos indo para Argentina Gravar o disco Like a Flame of Vulcaine acabamos passando por São Paulo e fizemos alguns shows com Vincebuz, em 2007 mudamos por uma temporada em São Paulo, e o Renato G. (guitarra/voz - Vincebuz) passou a tocar guirtarra com a gente,tinhamos uma tour marcada na Argentina que acabou indo o Vincebuz junto, dai pra frente a familia foi formada,rs
Voltando ao disco, em 2011 passamos por São Paulo novamente, e resolvemos fazer uma jamsession no estudio Caffeine, Apenas entramos na sala de estúdio montamos as duas baterias e os 2 amplificadores carregados de energia e vontade e aplicamos o REC e no fim veriamos o que sairia. Ótima experiência em poder novamente desfrutarmos da mesma fonte. Duas bandas VincefuzzlyBuz e um unico show, Talvez algo já esperado por ambas as bandas.



3. Fale um pouco sobre a gravação do mais recente lançamento da banda, o "Ao Vivo" (2012).

Então, foi aniversario de uma banda parceira aqui da nossa cidade Branco ou Tinto, resolvemos juntar os equipo de estúdio nosso e gravar 4 sons, fizemos imagens também tem o vídeo creio que vamos lançar algo disso também.

4. Onde foi o melhor show que a banda fez?

Cara melhor show, isso é dificil responder uhaua, mas este ano foi no Cavernas Bar, Sexta feira 13 de Julho, aqui em Cuiabá. Coincidindo com o Dia do Rock!

5. Quais os planos da banda para o futuro?

Estamos fazendo uma força pra lançar um novo álbum em breve se possível!!




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