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10 de nov de 2015

Entrevista Zumbi: Projeto Trator pela segunda vez!

2015 tem sido um ano bem agitado para o duo paulista que mistura Stoner Rock com Punk devido a vários lançamentos e uma quantidade de shows maior que muitos farão em uma vida inteira. Apesar disso Thiago Padilha (bateria) e Paulo "Thompson" Ueno (vocal e guitarra) mais uma vez arranjaram um tempinho para responder algumas perguntas para o Zumbi Atômico.



Na última vez que entrevistei vocês o Projeto Trator tinha lançado apenas dois EPs. De lá pra cá a banda acrescentou á discografia dois álbuns e dois splits. Qual será o próximo passo?

Paulo: Soltar mais um álbum (ainda sem previsão de lançamento) que foi gravado no Converse Rubber Tracks, no Family Mob Studios, sob a batuta de David Menezes, engenheiro de som do Ratos de Porão e guitarrista do Desgraciado/Testemolde e do ex-Sepultura, Jean Dolabella. Fizemos um resumo da nossa historia com canções do nosso primeiro EP, do nosso primeiro Full, do Despacho, que será oficialmente lançado no Brasil esse sábado (14.11.15) no Hotel Bar (Antigo Hotel Tees) e dos splits gravados ano passado na Argentina.
O Despacho só não foi lançado antes por que o cara que masterizou lá no Rio de Janeiro fodeu com tudo e ainda foi bem pago. O David Menezes, que salvou o trampo. Esse disco foi gravado numa fazenda em Itupeva em 2013 e a produção é assinada por outro parceirão, o Sergio Ugeda (Debate/Diagonal).
Voltando ao Family Mob, captamos ótimas bateras e guitarras. Oito músicas em oito horas. Já demos continuação à produção desse trabalho no estúdio Rolo de Fita do David Menezes com mais camadas de guitarras, vocais, mixagem… Fora isso adoraríamos esquartejar esse governador arrombado, Geraldinho Alckmin ahaha e quem sabe um disco de reggae.

Thiago: Disco de reggae, nem fudendo! hahaha… Levamos junto nessa ultima turnê, meu amigo de longa data Eduardo Murai, que produziu o disco "Na Fronteira com o Ordinario Planeta Pessego Azul". Ele além de cuidar da venda de merchandising, também tirou fotos e gravou (por canal) o áudio de todos os 15 shows da turnê. Pretendemos lançar um disco ao vivo com o nosso set-list "padrão" da turnê e mais um ao vivo com as jams rolaram na maioria dos shows.

Também na última entrevista, vocês tinham acabado de fazer a primeira turnê pelo nordeste brasileiro. Desde aquela vez vocês já tocaram no sul e mais recentemente fizeram uma extensa turnê pela Argentina, Uruguai e Chile. Como é fazer uma turnê fora do Brasil?

Paulo: Fizemos duas gigs fora daqui: ano passado durante a copa rodamos a Argentina e esse ano repetimos a dose lá na terra do Maradona e mais Uruguai e Chile. O lado bom são as coisas que você não conhece e o Fernet barato. Existem as roubadas, comida boa e ruim, gente muito loca pentelhando, tem de tudo. O Uruguai é um pais rural onde todo mundo usa pochete. Embora eu tenha ficado doente, foi bem divertido. Lá nós tocamos num pico onde o Leptospirose (Bragança Paulista) também tocou. Na Argentina fizemos 11 shows num circuito de bandas psicodelicas/stoners, amo aquele lugar. E o Chile, apesar da repressão, de não poder beber na rua, da comida e da breja péssima, o povo é true pra caralho e isso é foda. Me remeteu muito à época em que eu frequentava o Chop Haus (botecao banger/calça justa) no Bexiga, em 94, e dos rolês da galeria para a Ledslay de sábado no meio dos anos 90. Aliás, o Chile é uma Ledslay gigante e fria.

Thiago: Tivemos uma receptividade muito boa nos países em que tocamos (principalmente na Argentina). Somando tudo o que percorremos por terra, foram mais de 6000km (praticamente tudo de ônibus, que bancamos com a grana dos shows mais a venda de merchans). Apesar de algumas roubadas, não dá p/ reclamar. O que mais importa é que os shows foram bem fodas.

O Projeto Trator já possui planos para uma próxima turnê?

Paulo: Sim. Em Janeiro partiremos novamente para o nordeste à convite do Under The Sun, festival psicodélico bem legal que acontece em Natal/RN.
Esse giro terá inicio em Fortaleza (CE), depois vamos para Mossoró (RN), Natal (RN), João Pessoa (PB), Recife (PE), Maceió….Vamos aproveitar o  rolê, também, para rever os amigos e tirar uma onda no verão ahah… já estamos fechando outras gigs para o decorrer do ano.

Imagino que em todos esses lugares que vocês já foram devem ter conhecido inumeras bandas boas. Poderiam citar algumas para os leitores do Zumbi Atômico?

Paulo: Dividimos o palco com muita banda legal. Difícil lembrar todas mas vamos lá:

Thiago: Bandas gringas - Argentina: Montaña Electrica (Buenos Aires), Soma (Neuquen - lançamos um split juntos), Los Elefantes Yel Arbol Solar (Buenos AIres - lançamos um split juntos), Knei (La Plata), Las Olas (Buenos Aires), A-Kemarropa (Gde Buenos Aires) esse é um punk rock brutal, Favalli (Gde Buenos Aires), Aversus (Neuquen). Chile: Kayros (Concepcion), Demonauta (Santiago) e Chinaski (Curicó)…

Paulo: Bandas nacionais: Autoboneco (Bauru - O Thiago tambem toca nessa banda), Cassandra (Curitiba), Facka (Atibaia), Marte (Curitiba), The Lost Lions (Bragança Pta), La Burca (Bauru), Mondo Bizarro (Recife), Mojica (Olinda), Suicide Shower (Presidente Prudente), Testemolde (SP), Warsickness (SP)...

Ano passado durante a turnê pela Argentina vocês gravaram os dois splits. Poderiam falar um pouco sobre eles?

Paulo: Em Neuquen (Patagonia) havíamos tocado no festival Noches Verdes, produzido pela Venado Records e pela galera do Soma. Tocamos com o próprio Soma e o Calambretto. Haviam centenas e centenas de pessoas e um estúdio móvel que estava lá registrando os audios. Aí nasceu a idéia do split. Na semana seguinte em Buenos Aires, o grande Mathias (sócio do Estudio Casa Fauna que nos hospedou as duas vezes em que estivemos na Argentina) também sugeriu um Split com a banda dele, Los Elefantes Yel Arbol Solar. Obviamente que não hesitamos e passamos uma tarde chuvosa fazendo uma série de Jams com o REC apertado. Eu mesmo mixei e masterizei as faixas do Projeto Trator.

Thiago: Lançamos os dois splits esse ano pela Crocodilos Discos (nosso selo) e o split com Los Elefante Yel Arbol Solar teve lançamento em parceria com o selo Fauna Records da Argentina. Eu mesmo fiz a arte dos dois splits. Na Argentina o split com o Soma saiu com a arte do baterista do Calambretto que normalmente faz os flyers cannábicos do evento Noches Verdes.

Vocês lançaram recentemente um clipe para a música Na Rua das 7 Facadas, que foi gravado na Casa Raiz Libertaria. Como foi a experiencia?

Paulo: Foi épico! Intenso! Ahah... a locação foi na Casa Raiz Libertária é uma ocupação artística no Jd. Jaqueline, Km 15 da Raposo Tavares em São Paulo. O espaço é frequentado por artistas e agitadores culturais da quebrada. Em suma, chegamos às 14h para preparar tudo e parte dos equipamentos foram subitamente roubados assim que entramos na Casa para checar o ambiente, algo como cinco minutos. Por sorte pegamos um dos jovens com vários equipamentos em mãos, inclusive uma das câmeras. Eu entrei na favela com dois brotares que estavam na casa, um deles é morador da comunidade. Aí começou a saga. A minha guitarra e o tripé profissional, desses caríssimos, estava nas mãos do outro jovem. Rodamos a favela, passamos por todas as biqueiras. De fato, eles não querem problema e o dono de uma das biqueiras me garantiu os (instrumentos) em duas horas. E aconteceu.

Duas horas depois o Thiago foi de carro pegar a guitarra e o tripé do outro lado da favela. Sobre o clipe, corremos para a Casa Raiz Libertaria e ainda caiu um pé da agua, uma chuva forte e inconveniente sem fim, mas gravamos do mesmo jeito com todas as limitações: física, técnica e emocional. Toda a direção de fotografia e também produção é assinada pelo grande amigo Tiago ‘Visceral’ Maciel (ex guitarrista do Calibre 12/ atual Chemical). O conceito, edição e finalização é meu. Mas todo mundo pegou no pesado. Compusemos o cenário com algumas luzes e materiais e com o pessoal da casa, foi uma força tarefa mesmo. Dois dias depois, captamos alguns inserts na rua. O propósito era um carnaval lisérgico e satânico. Mas curtimos bastante do resultado. Ufa!

Com três lançamentos e essa quantidade quase incalculável de shows podemos dizer que 2015 foi o ano mais "produtivo" de vocês?

Paulo: Sem dúvida. Lembrando que a tendência é sempre piorar. Temos banda para tocar. Vamo fazendo as coisas na unha e com a ajuda de amigos. Nós temos isso em comum: essa visão sobre musica e rolê como uma continua produção e sempre tocando. Fazer acontecer é sempre uma conquista. Fica difícil de negar as raízes punks.

Thiago: A cada ano que passa tem sido mais produtivo. Em 2016 faremos 10 anos de banda e a vontade de tocar é muito, gravar e desbravar novas terras está mais forte do que nunca. A máquina não para!


Não esqueça de visitar o Facebook, o Soundcloud e o Bandcamp do Projeto Trator!

Lembrando que no próximo sábado (14/11) a banda toca DE GRAÇA a partir das 20hs no HOTEL BAR.

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